“Cada doença pertence a um doente. Cada doente tem uma mente. Cada mente é um universo infinito”.
Livro: “Vencedor dos Sonhos”
O cancro da mama é atualmente a segunda doença com mais prevalência e incidência no sexo feminino e por sua vez a mais dolorosa. Provoca alterações no funcionamento biopsicossocial, implicando a necessidade de reajustamento das vivências intrapsíquicas.
O medo de ficar “incompleta” é o fantasma que inquieta a feminilidade destas mulheres, sendo que a mama tem igualmente um significado cultural e social na vivência da sexualidade feminina.
O diagnóstico do cancro da mama, tratamentos e as respetivas intervenções cirúrgicas, deixam marcas profundas na esfera psicossexual destas mulheres, comprometendo a relação com o corpo, consigo mesma, com o outro, retirando qualidade à vivência da corporalidade e da sexualidade.
Os recentes avanços da medicina têm contribuído para a diminuição das taxas de mortalidade de cancro da mama, aumentando a sobrevida e minimizando os efeitos colaterais dos tratamentos químicos, radiológicos e cirúrgicos. Não obstante, apesar das benéficas transformações, a experiência de cancro da mama continua a não poupar as mulheres que a vivenciam do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, durante as fases do diagnóstico, tratamentos, final dos tratamentos e sobrevivência.
Deste modo, importa reforçar que existem terapêuticas alternativas no alívio do sofrimento e sintomatologia psicopatológica no cancro da mama, tais como: a espiritualidade e os estados emocionais positivos.
“E o fim da linha, para nós portadores de cancro, não é o fim de tudo, mas sim o início de uma nova vida.”
Testemunho IPO.
A influência da espiritualidade na saúde tem sido alvo de um número crescente de estudos, demonstrando um efeito benéfico desta variável tanto a nível físico como mental, uma vez que constitui uma das estratégias de coping adaptativa, com o intuito de ajudar na procura do sentido para a vida, da esperança e do bem-estar face a uma doença grave, como o cancro de mama.
A espiritualidade é considerada como algo que é capaz de alterar o estado de consciência do ser humano, redefinindo a identidade e o significado da vida e da morte. Quando a doente está perante uma situação desesperadora, em que a morte é vista como um acontecimento praticamente certo, a crença na existência de um ser superior é confirmada e a busca pela concretização do poder da fé é vista como o último e o maior recurso disponível de que o ser humano dispõe para mudar a situação.
“A todos os doentes oncológicos, nunca percam a esperança e lutem, lutem e lutem porque nem sempre a luta é inglória”
Testemunho IPO.
Por outro lado, as induções de estados emocionais positivos também atuam terapeuticamente, uma vez que o stresse tem como efeitos principais a inibição do sistema imunológico e o desequilíbrio hormonal. Os estados emocionais positivos levam o organismo a transpor esses sentimentos em processos, que vão restaurar o equilíbrio e a revitalizar o sistema imunológico. Portanto, a sensibilidade e a perceção do doente oncológico em relação ao futuro irão melhorar imenso, de acordo com o entusiasmo e a confiança despertados pelo tratamento, seja ele convencional ou alternativo.
Importa não esquecer que na literatura médica, existem indicações de terapias como a acupuntura, musicoterapia e arterapia como auxiliares no tratamento, uma vez que atuam no alívio de sintomas, diminuindo a ansiedade e o stresse, contribuindo para a conscientização corporal e para o bem-estar geral, integrando com harmonia as dimensões físicas, psicológicas, sociais e espirituais do paciente.
Por tudo o que foi citado anteriormente, reforço a importância do acompanhamento psicológico em doentes oncológicos e seus familiares, uma vez que contribui para lidar de uma forma ajustada com as suas alterações corporais, a desenvolver estratégias de coping e expressar autonomia em relação à superação da doença.
“Façam como eu, não baixem os braços, não desistam, pois vale a pena lutar pela vida, com cirurgia ou não, com tratamentos, tudo o que for preciso. A vida tem que continuar”.
Testemunho: IPO.